Renascimento

Quando eu perder o movimento, não quero que chorem. Não quero que comecem a usar os verbos referentes a mim no pretérito. Não quero que toquem músicas tristes ou que usem preto.

Quando eu partir, não quero que se lembrem de mim pelas minhas riquezas. Talvez seja até melhor não se lembrarem nem das minhas proezas! Quero que lembrem-se dos meus erros. Das minhas falhas. Quero que lembrem-se dos momentos em que eu achei que morreria. Porque foram estas ocasiões que me fizeram crescer. Não teria realizado meus acertos memoráveis sem meus desregramentos.
Quando meu corpo se expirar e o sangue que pulsa em minhas veias se extinguir, não quero que se lamentem por terem me falado o que não deveriam. Não quero que se lastimem por não terem me apoiado o suficiente. Não quero que se magoem por causa das roupas e jóias que deixei. Que fique claro: não levarei tesouros e nem ressentimentos para o túmulo.
Mas o meu maior desejo, o mais puro e firme de todos eles é este: não quero que me deixem morrer. Porque depois que eu partir, minha carne de certo apodrecerá e vocês não ouvirão mais a minha voz. Não sentirão mais o meu cheiro nem o meu calor. Mas isso não me impede de continuar viva. Porque existe um lugar, o mais confortável de todos eles, que é onde eu ficarei para sempre: o coração de vocês.
Quando eu me for, quero continuar viva em cada um de vocês, e quero que vocês continuem vivos em mim também. Quero que espalhem o meu amor por aí, quero que distribuam alegria. Que semeiem esperança e caridade. Bom senso, criatividade.
Quero que vocês se lembrem de mim sempre que virem um beija-flor, um pôr-do-sol, um arco-íris. Quero que se lembrem de mim toda vez que virem uma estrela cadente, uma florzinha. Porque serei eu. Em minha forma mais simples e pura.
E sempre que a saudade apertar (e eu rezo para que ela aperte!), não quero saber de desespero. Porque a saudade é a única certeza que nós temos de que todas as batalhas que travamos (até aquelas que perdemos) valeram a pena. Quando as lembranças nostálgicas e a vontade de voltar ao passado forem maiores do que a coragem de seguir em frente, peço para que continuem andando, mesmo tristes, sem olhar para trás: porque é neste momento que eu estarei mais viva do que nunca. É neste momento que eu estarei sorrindo e acenando. Porque a caminhada é longa. E apesar de dolorosa, é muito divertida.


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4 comentários:

  1. Que texto irado *-* meus olhos se encheram de agua. Agua :)
    Não te contei, mas venho aqui todos os dias ;p
    um beijo no coração :*

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  2. Ooo lindooo de maisss...
    Adoro sua forma delicada de escrever!
    Beijos meus
    ;***

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  3. Muito obrigada, meninas! :) O apoio de vocês é muito importante pra mim.

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  4. Que lindo Carol!!!!!Falar da morte, apesar de saber que ela não existe, é muito difícil pra mim, mas vc o fez de forma muito delicada e suave. Parabéns!!!!!

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