"Há quem guarde a alegria

Embalsamada no coração

Há quem troque um sorriso
Por um reluzente cifrão.

Há quem mude de amor
Como se troca um roupão
Há quem evite um beijo
Por um pedaço de pão.

Há quem corre apressado
Buscando mais ação
Há quem fique parado
Morrendo na solidão.

Há quem habite a tristeza
Esquecendo-se da canção
Há quem nasce, vive e morre
Sem conhecer a paixão!"
(Paixão - Obrigada, papai! ♥)

De vez em quando eu penso se não seria grande até demais o meu coração. Ele é do tamanho do mundo. Gente demais. Espaço demais. Festa demais. Peso demais.
Meu coração é tão pesado, que estava me dando dor nas costas. Tive que tirá-lo do peito, para ele não me matar. Meu coração é tão longo, tão comprido, que as vezes eu não consigo nem carregá-lo. Deixo em casa, paradinho, porque ele nunca cabe na bolsa.
Meu coração é tão vasto, tão imenso, tão extenso, que todos os seres que nele habitam, ficam distantes, com frio. Ao léu.
Meu coração ficou tão bruto, tão grosseiro, tão rude, abrutalhado, que eu o desliguei. Desliguei porque seus batimentos provocavam terremotos. Seus batimentos quebravam coisas. Partiam outros corações.
Mas ele volta e bate mais uma vez ora ou outra. E bate com força. Machuca a mim.
Eu paro de respirar. Não funciona. Eu grito para as pessoas saírem dele, que elas vão acabar morrendo. Não me escutam. Choro. Não querem saber. Eu brigo, bato também. Com muita força. Mas a força do meu coração é maior, ele é um monstro. Vigoroso, robusto. É isso que ele é. E é até demais.
De vez em quando eu penso se não seria melhor ter um coração miudinho. Pequenininho, do tamanho de um botão. Ou talvez até de uma bactéria, bem pequeno mesmo. Porque assim ele seria sensível, macio.
As almas que o habitam estariam sempre juntinhas. Abraçadas, para caber todo mundo. Não haveria frio. Não haveria solidão.
Se meu coração fosse menor, ele seria puro. Inocente. É isso que ele seria. E seria também muito mais confortável. E eu o poderia levar para todos os lugares, ele voltaria a caber no meu peito.
Se meu coração fosse do tamanho de uma tampinha de garrafa, aqueles que respiram dentro dele, teriam de fazer esforço para entrar lá dentro. Porque o espaço é pequenininho. Teriam de provar que merecem se espremer lá dentro. Teriam de demonstrar que ali é o lugar delas.
E talvez assim eu sofreria menos. Teria menos preocupação.
Meu coração não machucaria ninguém, não machucaria nem a mim. Ele estaria em todos os lugares e todos os lugares estariam nele. Mesmo com o tamanho subtraído, não deixaria de ser intenso. E mesmo intenso, não deixaria de ser permeável.
Mas ó, meu Deus! Como seria árduo ouvi-lo! Eu precisaria falar baixinho, colocar o ouvido bem pertinho... Talvez fosse necessário um daqueles estetoscópios, um bem potente. Para eu poder ouvir cada palavrinha, compreender cada verso de sua melodia.
E eu teria de cuidar muito bem dele. Para ele não se quebrar. Não se partir. Teria de prestar muita atenção antes de deixá-lo morar em algum outro coração. Mas eu consigo! Eu aguento!
Não posso mais suportar este meu coração exagerado! Ele já não cabe em mim. E não cabe dentro das pessoas que estão dentro dele.
Alguém aí tem uma máquina encolhedora?

4 comentários:

  1. Seu LINDO coração pode caber em mim, e se caso ele nao couber agente da um jeito, nem que vc quisesse, voce ficaria sem coração, IMPOSSIVEL <3 *-------------*

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  2. PERFEITO. O seu coração é enorme, e não faltará pessoas para te ajudar a suportá-lo.

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  3. O maravilhoso do coração é que ele é imennnnnnnnnnsssssssssssoooooooo........... e quanto mais cheio, mais cabe! Beijo

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  4. Hahahah1 Obrigada pelo apoio, galera1
    Um beijo :*

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